© Copyright 2012, CESAREIA
Todos os direitos reservados


Vila Real: Seminário vai abrir Biblioteca à comunidade

[com a devida vénia, transcrevemos a reportagem de Maria Meireles, para o jornal A Voz de Trás-os-Montes]

Durante o último ano um projeto de reorganização da biblioteca do Seminário de Vila Real garantiu a limpeza e recuperação de milhares de livros, alguns muito antigos. A catalogação e introdução numa base de dados foram os passos seguintes de um processo que vai culminar com a abertura daquele espaço ao público.

Num trabalho minucioso de higienização, preservação, organização e informatização, o Seminário de Vila Real, apoiado por uma equipa de técnicos especializados, tem em curso um processo de reorganização do seu acervo bibliográfico, num total de mais 17 mil títulos, que deverá estar concluído até novembro.

Partindo da iniciativa do próprio seminário, o projeto teve como objetivo primordial a salvaguarda do espólio bibliográfico acumulado “ao longo de várias décadas, com especial destaque para o núcleo de livro antigo, maioritariamente herdado do extinto Convento de Santa Clara de Vila Real”, explicou o padre Abel Canavarro, reitor do Seminário de Vila Real.

Para a sua operacionalização, o reitor conjugou esforços com o Delegado dos Bens Culturais da Diocese de Vila Real, para a criação de um “plano de preservação e organização do referido acervo”. Num primeiro momento, foi constituída uma equipa com técnicos especializados na área da biblioteconomia e adquirido um computador e o programa informático capaz de dar resposta à elaboração de uma base de dados de catalogação bibliográfica.

Foi igualmente formalizada a adesão ao programa CESAREIA, com o objetivo de, no futuro, colocar a base de catalogação da Biblioteca do Seminário de Vila Real em rede com as demais bibliotecas tuteladas pela Igreja Católica Portuguesa.

“Tiata-se de um espólio que estava um pouco perdido e esquecido”, sublinhou o reitor do Seminário lamentando que a falta de condições em que se encontravam alguns dos livros tenha resultado mesmo na destruição de “um ou outro” exemplar.

O facto de a biblioteca estar dividida em vários espaços e não ter a organização devida, também acabou por ditar o desaparecimento de alguns títulos integrantes de coleções. “A partir de agora queremos evitar tudo isso”, sublinhou.

Depois da higienização, da marcação e informatização dos mais de 17 mil títulos (já em fase final), os livros serão organizados em quatro salas distintas do seminário, uma das quais reservada especialmente para as publicações mais antigas (que estarão exposta, mas armazenadas em estantes fechadas com as devidas condições de preservação) e outra destinada apenas a revistas.

“A ideia é criar um espaço de leitura e consulta. Abrir a biblioteca às pessoas, porque há livros interessantes que merecem ser estudados”, explicou o padre Abel Canavarro, adiantado que está também a ser feito um esforço para, dentro dos possíveis, completar algumas coleções.

No âmbito do processo de organização dos livros, foram encontrados títulos do século XVIII, alguns ainda em manuscrito. “Há uma parte de documentos que foram para o arquivo diocesano, como por exemplo estatutos de confrarias e de ordens terceiras, e alguns testamentos. Encontramos também alguns processos de casamento que também mandamos para a cúria diocesana”, recordou o reitor.

Outro aspeto interessante da biblioteca prende-se com a existência de livros que não existem na Biblioteca Nacional, títulos que foram trazidos diretamente de Roma pelos padres que lecionaram no Seminário.

Mas, tal como acontece em qualquer biblioteca, aquele acervo não é estático. “Manter uma biblioteca atualizada é muito caro, mas continuamos algumas assinaturas de revistas e vamos adquirindo obras de referência, portuguesas e estrangeiras, na área da teologia e cristianismo, sublinhou o reitor, recordando ainda que a biblioteca herda o espólio bibliográfico de alguns párocos da região.


Voltar